Reativar a rede social do concelho, apoiar o arrendamento jovem e criar uma carta educativa são algumas das propostas que o candidato socialista à Câmara Municipal avançou na abertura da sede de campanha «Faro merece mais».

Apesar de ser sexta-feira e o calor do final da tarde convidar mais à praia do que a comícios, não faltou entusiasmo na cerimónia de abertura da sede de campanha de António Eusébio, no Largo da Alagoa. Cumpridas as formalidades, o candidato socialista à Câmara Municipal de Faro começou por explicar porque é que «Faro merece mais». «Eu fiquei chocado quando soube que há refeitórios escolares que servem refeições através de outsoursing. Que dão refeições aos alunos a um custo irrisório. Que os funcionários que as servem, não recebem sequer o ordenado mínimo. E que essas crianças não têm a qualidade na alimentação que poderiam ter, se fosse o município a agarrar esta responsabilidade. O município tem a obrigação de o fazer e de dar a melhor qualidade às nossas crianças, em todos os refeitórios escolares. Este é um dos primeiros pontos que considero fundamental mudarmos, numa primeira fase, assim que chegarmos à Câmara Municipal», prometeu, durante a inauguração, no dia 28 de julho.

«Outro ponto que me choca muito é a falta de transportes escolares. Os que existem em Faro não dão para levar as crianças a sítios fora da cidade. Temos que traçar um plano e começar a fazer este trabalho. Só desta maneira é que conseguimos que as crianças tenham igualdade de oportunidades. Senão, aquelas que os pais podem, com certeza que irão a Lisboa ao Oceanário, ou a visitas de estudo a sítios que são bons e que as formam para a vida. Outras ficarão reféns de uma desigualdade que não é merecida. Enquanto tivermos o Partido Socialista no poder, temos a obrigação de contrariar este tipo de situações. Ao nível da ideologia, são medidas que nos separam completamente da direita que nós temos de combater profundamente», sublinhou.

«Ao contrário do atual executivo, também defendemos que os manuais escolares sejam oferecidos, tal como acontece em Olhão e em Loulé. É um direito que os alunos têm, à igualdade de oportunidades. E ainda na educação há uma medida que é fundamental. O pré-escolar, dos 3 aos 6 anos. A diferença entre ser privado ou ser público, é um custar 25 euros e outro 250 euros. Tem de ser muito equilibrado, porque nesta cidade a resposta tem crescido desde sempre pelas instituições privadas», frisou ainda António Eusébio.

Na coesão social, «também há muito trabalho por fazer. Não só ao nível de problemas que têm aumentado o e que nós sentimos que não tem havido sensibilidade social para dar respostas. Basta olhar para a manutenção da habitação municipal nos últimos oito anos. Não tem sido feito quase nada. É preciso voltar a apoiar as rendas sociais. A cidade hoje não tem capacidade para responder aos mais jovens, as rendas são cada vez estão mais caras. Muito nos admiramos de a Universidade do Algarve ser das que menos fixa jovens. É verdade, e fixa ainda menos em Faro porque a habitação é um problema, que temos de olhar com olhos de ver», disse ainda aos cerca de centena e meia de presentes.

Na cultura, «o que me dizem é que os agentes culturais sentem que há uma ausência de critérios no apoio ao sector por parte do município. Que os critérios têm que ser mais transparentes, não basta apenas apoiar e subsidiar. Tem que se criar uma política efetiva de apoio ao associativismo, com um plano estratégico. Não pode ser apenas atribuir subsídios, apenas para se fazerem algumas atividades».

António Eusébio não poupou críticas ao estado da cidade, desde os buracos nas estradas, aos parques infantis e equipamentos desportivos degradados. «Quando há falta de manutenção tudo se vai agudizando. Tem havido uma falta de estratégia, de visão, de rumo. E, por isso, a primeira coisa que temos de fazer é um plano de desenvolvimento estratégico para a cidade, nas várias áreas. Ao nível do urbanismo e ordenamento, temos técnicos magníficos na Câmara Municipal, mas têm de ter confiança política para poderem trabalhar melhor, para arranjar as melhores soluções. Temos de acabar o Plano Diretor Municipal para pensar nos planos de pormenor e de urbanização que a cidade tanto precisa, e voltar de vez Faro para a Ria», considerou.

«A Câmara Municipal tem que dar um estímulo ao empreendedorismo local. Porque o que tem crescido bem na cidade, com o turismo, não tem sido fruto praticamente do trabalho da autarquia. Tem sido fruto de uma mudança de política que o país teve», concluiu. Durante a inauguração, o candidato socialista à capital algarvia apresentou ainda o mandatário, Álvaro Café, pessoa que «que só credibiliza a candidatura Faro merece mais pelo PS, credibiliza o nosso projeto e dará uma esperança de futuro à cidade».

Indiginação de Rogério Bacalhau «é tardia» lamentou Luís Graça
A abertura da sede de candidatura do Partido Socialista «Faro Merece Mais», liderada por António Eusébio, contou com a participação de José Apolinário, presidente da Assembleia Municipal, assim como Luís Graça, presidente da concelhia local do Partido Socialista e vereador na Câmara Municipal. Este último dirigiu críticas ao atual autarca Rogério Bacalhau, devido à polémica com a vinda de dois ministros (Mar e Defesa) a Olhão. «Ainda esta semana, a Câmara Municipal se indignou. Indignou-se que o governo fosse a Olhão assinar um protocolo com a Polícia Marítima, e outro para renovar os cais de embarque para as ilhas de Faro. Mas essa é uma indignação que chega tarde. Tarde porque a jurisdição marítima das ilhas-barreira é, de facto, de Olhão. E portanto não era preciso tanta indignação por a cerimónia não ser em Faro», criticou Luís Graça.

«Mas verdadeiramente, aquilo que faltava à Câmara de Faro foi ter-se lembrado que havia farenses a viver na Ria Formosa. Quando o governo de direita decidiu demolir as casas e as vidas àquelas pessoas, o presidente da Câmara de Faro não se lembrou que havia farenses a viver na Ria Formosa. Quem teve de interpor uma ação cautelar contra o governo da direita foi um autarca do partido socialista de um concelho vizinho, não foi o autarca de Faro», recordou.

«Mas este desinteresse não foi só neste momento. Quando no ano passado, o governo do Partido Socialista veio lançar uma obra absolutamente central para a qualidade das águas da Ria Formosa, a ETAR Faro-Olhão, um investimento de 22 milhões de euros, cerimónia que era em Faro, o senhor presidente da Câmara de Faro não foi. Não achou que era relevante para ir. Portanto, esta indignação tardia é de alguém que não se lembrou, e que não conseguiu nunca olhar para a Ria Formosa, olhar para esta frente de Ria que Faro tem, percebendo que ela é absolutamente estratégica para que o concelho e para que a cidade dê a volta rumo a um novo desenvolvimento», acusou.

Plataforma on-line já acolheu mais de 1000 sugestões

Para António Eusébio, a sede de campanha «é mais um espaço de participação cívica para todos os farenses, nesta candidatura que é abrangente e inclusiva. Abrimos as portas a todos. Temos percorrido todos os caminhos, todas as freguesias para ouvir cada cidadão. Isto porque eu considero que a construção dos programas eleitorais e dos orçamentos municipais, para os fazermos da melhor maneira, só os conseguimos fazer ouvindo em primeiro lugar, cada um de nós, cada um de vós. Depois de ouvir é que podemos priorizar cada pedido e opinião para tomarmos a melhor decisão». No entanto, Eusébio enaltece as sugestões que tem recebido através da internet. «Este tem sido um programa participado, está on-line, já ultrapassamos mais de um milhar de opiniões que nos fizeram chegar no nosso site. Tem sido muito benéfico», com o candidato a receber «opiniões que saem fora do contexto normal, que vão além do que se pensa no dia a dia. Continuo a pedir a todos que continuem a fazer este trabalho, seja on-line, seja neste espaço que a partir de hoje vai ficar aberto».

«Ouvimos Faro na economia local, na cultura, na intervenção social, no desporto, na juventude e no associativismo. Reunimos com empresas. Percorremos muitas instituições, ouvindo cada funcionário. Sabemos quais as dificuldades das instituições e sabemos como as pessoas veem e sentem a cidade. Este é o princípio de diálogo que deve prevalecer na construção do nosso programa. Para decidir os destinos de todos nós, temos de saber o que as pessoas pensam para fazer melhor», disse ainda.

Agosto 3, 2017

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